© Fim de tarde. Caio cansado numa duna perdida, numa tentativa desesperada de encontrar força, força para te esquecer, força para extinguir o fogo que outrora ateaste em mim com esse teu beijo amaldiçoado e me tem consumido, maré após maré, sem nunca me dar descanso.
Com os dedos enterrados na areia, saboreio o calor desinteressado do por-do-sol, relembro o teu gosto numa tarde de Outono. Desenho no vento as tuas palavras na esperança que ele seja realmente um bom mensageiro e tas leve de volta, às tuas promessas, às tuas delicadezas, ao meu amor. Vejo a areia a deslizar por entre os dedos e percebo que foi assim que, outrora, um cabelo liso e sedoso se escapou, se afastou.
O mar espelha a minha mente, ondulada, irritada, ansiando uma calmaria falsamente prometida pelo cair da noite, pelo cansaço.
Espero… Desespero… Espero pelo que não tenho e desespero… pelo que tive. Por ti, pois as marés não apagam as pegadas que marcaste em mim, não me devolvem a completude, não me refrescam o sentimento.
O meu Sol, esse, já partiu e agora uno as estrelas com a minha imaginação, e elas desenham o teu rosto, o teu corpo e sorriem, sorriem… Como eu gostaria de ter o poder de inverter o sentido de rotação da terra, inverter o tempo, a gravidade, para que pudesse cair, cair livremente para as estrelas, cair para o teu sorriso, voltar para ti.
Mas isso não acontece.
Resta-me ir para casa, no fim de mais uma eternidade, repousar os pensamentos numa almofada cravejada de lágrimas e esperar… por ti… pela tua resposta na volta do vento… a dizer…
Amo-te.
Romeu
Beijo. Beijo ardente, com sabor a algo mais… O teu algo mais, que quero aqui e agora… Vem! Vem até mim…