Mil palavras... Um sentimento...
 
Desejo de Outono

Desejo de Outono

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A minha mente percorre-te enquanto o teu beijo entra em mim e me desabotoa o desejo

© A brisa fresca do outono inveja o teu bronzeado suave e sedoso e fustiga os botões da tua camisa, esticando-a contra o teu corpo, como se tivesse umas mãos invisíveis e gigantes e com elas pressionasse todas as tuas curvas teimosas, deixando-as a lutar pelo seu espaço, firmes naquilo que são, firmes no desejo que provocam. Antecipo na mente o teu toque, o teu sabor, a temperatura do teu contacto. Procuro os teus lábios com o teu corpo em mente, com o teu íntimo no objectivo, com o teu prazer como meta. Tudo à volta desvanece, enfraquece até à transparência, à insignificância. A brisa torna-se parte de nós ondulando entre os nossos lábios que se tocam, se enrolam e se tentam fundir na outra metade. A minha mente percorre-te enquanto o teu beijo entra em mim e me desabotoa o desejo. Assumindo a forma dos meus lábios, estes pensamentos nus deslizam suave e levemente pelo teu pescoço, entreabertos, para criar um espaço onde o calor da minha boca e a brisa arrepiante do fim de outono se misturam numa sensação única. Um sítio onde o amor e o desejo já não se distinguem. Viro-te de frente para o vento, refugiando-me dele nas tuas costas, onde te prendo os pulsos com força e te puxo contra o meu corpo. A tua respiração acelera com o toque dos meus dedos frios, que persegues, mas que simplesmente não consegues impedir de chegarem ao seu destino, ao seu porto. Dás tudo como perdido e rendes-te ao prazer. Queres que eu chegue a ti. Queres-me em ti. Mostras-me o caminho. Prendes-me a cabeça entre o teu abraço obrigando-me a ouvir palavras que só consegues proferir com o teu olhar, e a escutar os teus tímidos gemidos de prazer confessarem expansivamente um amor que já não consegues guardar apenas em ti. A brisa junta-se ao culminar deste arrepio, acentuando-o e empurrando a minha mente de novo ao seu refúgio, enquanto te afastas lentamente com o meu sabor nos lábios…

– Vem comigo!

– Onde vamos?

– Vou mostrar-te o que penso…

Romeu

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