Mil palavras... Um sentimento...
 
Bilhete de Ida

Bilhete de Ida

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Os segundos passam por mim dizendo que aquele momento que eu ansiosamente espero já não volta, e a cada um que o proclama, está mais longe…

Vagueando pela impessoalidade de um corredor de aeroporto, os intermináveis mosaicos no chão parecem querer chamar-me à atenção. Apontam para o seu recorte e dizem: “Não há volta!”  – e vão-no repetindo impiedosamente a cada passo descoordenado e triste em direção a uma qualquer porta de embarque. Um sorriso retardado faz-se notar, desprendido de todo o novelo de tristeza que tenho no lugar onde outrora fui feliz. Como podemos ser tão cegos quando temos tudo, e tão agradecidos quando não temos nada? A sensação de perda leva tudo de nós, deixa apenas um recipiente vazio num sítio onde outrora existia um homem, um amante, um coração entregue para ser cuidado, para ser tomado. Um coração capaz de derrotar os mais temíveis monstros da história quando envolto no calor da tua paixão – esse calor suave e envolvente, como quem põe todo o seu amor num movimento de lábios para dizer um simples: “Amo-te”! Tenho frio! Os segundos passam por mim dizendo que aquele momento que eu ansiosamente espero já não volta, e a cada um que o proclama, está mais longe… mais baixinho, como que mostrando que a esperança do relógio volte para trás se fosse reduzindo a cada volta, mas no entanto sem nunca desaparecer. Dói! Dói saber que o relógio nunca girará no bom sentido, mas ao mesmo tempo nunca perder a esperança do impossível.

Romeu ©

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