Mil palavras... Um sentimento...
 
Estrada para Nenhures…

Estrada para Nenhures…

www.cartasparajulieta.pt
www.cartasparajulieta.pt

Olhavas para esse destino, enquanto eu olhava para ti, desejavas esse destino enquanto eu te desejava a ti, sonhavas lá chegar enquanto eu sonhava nunca parar.

Dedicado a todos aqueles que perderam o seu grande amor, mas não a capacidade de amar:

Alto lá! Mas desde quando as placas quilométricas falam? Vão-me dizendo: “quarenta, quarenta e um, quarenta e dois…”, alertando sempre a cada passagem por mim, agora a intervalos enganosamente mais pequenos. Como é que não as ouvi antes? Apenas me lembro de contar até à placa com o número vinte… foi mesmo antes de tu entrares. Talvez pela maneira como brilhavas quando entraste eu tivesse deixado de as ver, e pela maneira como contavas as tuas histórias eu tivesse deixado de as ouvir. As histórias que contavas sobre fantasias que chegariam para nós com a próxima paragem. Olhavas para esse destino, enquanto eu olhava para ti, desejavas esse destino enquanto eu te desejava a ti, sonhavas lá chegar enquanto eu sonhava nunca parar. Porque saíste agora que estávamos tão perto? Porque me deixaste aqui rumando à minha saída numa espécie de piloto automático dormente? O indicador do nível do combustível ainda aponta para o meio, iluminado, como que indiciando que a metade restante está agora aditivada pela experiência da metade gasta. A bomba que o faz circular, ainda bate com o vigor talentoso de quem o leva a todas as veias e de quem nada tem a temer face a uma subida de rotação. É um desperdício de força, um desperdício de vida. Nesta estrada interminável, de seu sentido único, todos temos uma saída com o nosso nome gravado, mas nenhum mapa nos diz quantos quilómetros nos são concedidos antes da derradeira viragem á direita, a tal que nos leva até ao lugar fantástico onde somos libertos da promessa outrora feita: “…até que a morte nos separe…”.

Por mim, vou desligar o piloto automático, eliminar todos os “se” e dizer-te:  “… até que morte nos pare”.

Vem comigo.

Romeu ©

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *