Mil palavras... Um sentimento...
 
Mês: <span>Janeiro 2017</span>

Saíste à pressa

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Perdia-me no teu encanto e só pensava que cada segundo teimoso era um segundo desperdiçado. Mas isso era eu, que te amava todos os dias como se fosse o último. Até que foi! Saíste à pressa.

Hoje cheguei a casa e fui procurar a vontade de viver. Onde a terias deixado? Tínhamos combinado que me deixavas alguma, assim que te fosses. Já procurei ao lado das massas, da tostadeira, e até atrás de todos os copos que costumavas alinhar e rodar até parecerem soldadinhos de chumbo numa parada. Nada. No armário dos detergentes, estava alguma auto-estima, mas já fora do prazo de validade. Junto à pasta de dentes… o teu mau feitio. Como te podes ter esquecido de uma coisa destas? Como podes viver sem ele? Lembro-me de ficares irritada por eu lhe sorrir. Acho que nunca percebeste que lhe sorria porque ficava a admirá-lo… e à maneira como ele era perfeito em ti, como ele te conferia toda essa genuinidade. E atrás, num daqueles armários em que acumulavas os discos de algodão desmaquilhantes, uma boa dose da tua teimosia – aquela que me vencia sempre no braço de ferro, por muitos espinafres que eu comesse. Era uma luta desleal, e eu nunca tive frieza para ela. Perdia-me no teu encanto e só pensava que cada segundo teimoso era um segundo desperdiçado. Mas isso era eu, que te amava todos os dias como se fosse o último. Até que foi! Saíste à pressa. E só agora estou a dar conta do que deixaste para trás para conseguires seguir com maior ligeireza. Deixaste para trás tudo o que te pesava, tudo o que te poderia atrasar na tua fuga desesperada pela felicidade. Seguiste despida dos teus defeitos, pensando que isso te levará a alcançar uma maior pureza no grau de felicidade pelo qual lutas. Nunca por um momento olhaste à tua volta com distanciamento suficiente para perceberes que todos os teus defeitos eram bem vindos nesta casa, cada um deles tinha o seu quarto, o seu espaço. Cada um deles te apimentava, te tornava mais apetecível, e provocavam a minha ânsia de os consumir. Buscas felicidade maior do que ser amada por tudo que és?
Boa viagem.

PS: Devolve-me a vontade de viver e ficamos quites!!!

Romeu ©

Psst! Psst!

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Psst! Psst!

Sim, tu mesmo. Eu estou aqui e vejo-te aí parado no tempo. Tu que olhas em frente e nada vês. Que procuras e nada encontras. Sim tu, que continuas a procurar à volta o que não encontras, o que só está dentro de ti. Que teimas em continuar a esbarrar no teu cinzento, no teu nada e ficas-te no vazio dos teus dias. Deixa que esta manhã de Inverno, devolva ao teu olhar o colorido das suas folhas, que se levantam a cada sopro deste vento frio e seco. Deixa que ele te varra todos os cinzentos das tuas manhãs dos teus dias do teu ontem, do teu hoje.

Sim, tu mesmo. Eu continuo aqui e peço-te: chuta para bem longe todas as sombras que teimas em deixar que pairem sobre ti. Deixa que a luz do Sol entre e te aqueça. Sente o calor do seu amarelo, deixa que ele encha os vazios que teimas em não deixar preencher. Deixa que o verde das folhas te esperance e que te faça cair as caducas das sombras das tuas cinzentas memórias.

Psst! Psst!

Continuo aqui, e nada vejo em ti sinais de mudança outrora primaveris, para além da tristeza do teu olhar, que teimas em manter perto de ti. De mim. Sim tu aí, porque hoje estou aqui e amanhã deixarei de estar aqui sempre para ti.

Psst! Psst!

Não fintes os teus dias…

Julieta ©

Será I Pedro Abrunhosa

Será

Será que ainda me resta tempo contigo
ou já te levam balas de um qualquer inimigo

Será que soube dar-te tudo o que querias
ou deixei-me morrer lento no lento morrer dos dias

Será que fiz tudo o que podia fazer
ou fui mais um cobarde nao quis ver sofrer

Será que lá longe ainda o céu é azul
ou já o negro cinzento confude o norte com o sul

Será que a tua pele ainda é macia
ou é a mão que me treme sem ardor nem magia

Será que ainda te posso valer
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer

Será que é de febre este fogo
este grito cruel que da lebre faz lobo

Será que amanha ainda existe para ti
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri

Será que lá fora os carros passam ainda
ou estrelas cairam e qualquer sorte é bem vinda

Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes

Será que o sol se põe do lado do mar
ou a luz que me agarra é sombra de luar

Será que as casas cantam e as pedras do chão
ou calou-se a montanha rendeu-se o vulcão

Será que sabes que hoje é domingo
ou os dias nao passam são anjos caindo

Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir

Será que sabes que te trago na voz
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós

Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar

Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra

Será que consegues ouvir-me dizer
que te Amo tanto quanto outro dia qualquer

Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia nem dia sem fim

Eu sei que me queres e me Amas também
me desejas agora como nunca ninguém

Não partas entao não me deixes sozinho
vou beijar o teu chão e chorar o caminho.

Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio

In Álbum: Tempo – 2006

letra 01. Não Dá
letra 02. Dá-me Tudo O Que Tens Para Me Dar
letra 03. Se Eu Fosse Um Dia O Teu Olhar
letra 04. É Difícil
letra 05. Sexo
letra 06. Se Eu Voltar
letra 07. Acima & Abaixo
letra 08. Nunca Te Perdi
letra 09. Tempo
letra 10. Será
letra 11. Manhã
letra 12. Parte De Mim

Hoje vi-te!!!

O som seco dos teus saltos impunha o ritmo da tua presença Hoje vi-te. Desdenhavas as escadas com mestria, ondulando a anca a cada degrau. O som seco dos teus saltos impunha o ritmo da tua presença. Nada fica indiferente. Nada se mantêm igual. O teu olhar alheado ao retocar …